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sexta-feira, 27 de maio de 2016

PRESSA CERTO, MUITA PRESSA...

Olá pessoas! O post de hoje é um conto muito especial que escrevi pensando no quão interessante é essa pessoa chamada tempo! Espero que gostem :)




Certo dia estava andando na rua quando encontrei um amigo. Ele estava apressado, com o olhar cansado e pálido. Eu parei na sua frente e abanei as mãos gritando ‘OI, OI, HEY ESPERA  AÍ!’. Algum tempo depois ele me viu e mencionou seguir andando, mas depois de ver meu olhar que exalava fúria parou para me cumprimentar.
“Olá minha cara, já faz um longo..” - fez uma mesura. “Claro que faz” - retruquei com as mãos na cintura. “Mal lhe vejo passar, vive correndo pelos cantos parece até que foge de mim!” - ele hesitou por um instante.
“Ora, não me culpe… é o trabalho é só…” - ele falava olhando para os lados, estava com pressa. Sempre estava, seu trabalho era corrido,  muito corrido.
Mas dessa vez eu não iria lhe deixar escapar. Precisava falhar-lhe há muito tempo e ele veja só vivia fugindo. E não só de mim. Não pense, por um instante, que sou uma amiga chata que fica azucrinando o amigo é só que o assunto era realmente importante e quando você tem algo pra dizer a alguém e esse algo é muito importante e você não pode dizê-lo é o mesmo que ter um mosquito gigante zumbindo no seu ouvido, mas você nada pode fazer para espantá-lo.
Esse amigo, que jugo tão especial e conheço desde minha meninês não tem celular, ou telefone, ou qualquer coisa que seja tecnológica, gosta de fazer as coisas como sempre faz há vários anos. Só que seu trabalho é corrido, muito corrido.
Já fazia dois minutos que ele estava parado ali comigo e parecia que ia explodir, suas mãos suavam e ele estava com muita pressa para ir onde quer que fosse, o trabalho.
“Sei que está com pressa, sempre está. Mas preciso te perguntar uma coisa”.
Ele se abrandou, eu sempre precisava perguntar-lhe alguma coisa e nessa hora ele sempre diminuía o ritmo para me responder. Mesmo estando com pressa. Mesmo tendo um trabalho tão corrido. Me acalmei quando percebi que ele finalmente se acalmara.
“É o trabalho. Mas pode perguntar, desde que não demore muito, porque veja que se demoro muito o trabalho fica bagunçado e não posso deixar isso acontecer. Te contei como foi quando parei?” - balancei a cabeça com uma negativa. “Foi um horror!” - ele sussurrou. “Pergunte”.
Essa foi minha vez de ficar sem graça. Veja que já tinha a pergunta em mente, mas sei que seu trabalho é corrido e necessário.
“Por que…” - respirei fundo - “Por que faz, isso sabe? Não percebe que não era assim antes, quer dizer, você sabe o que eu digo, só te vejo correndo e não vejo nada porque vive correndo” - Ele franziu as sobrancelhas - “Minha pergunta é: por que tem passado tão de pressa ultimamente, sabe, mal o vejo passar?”  - Ele sorriu, se aproximou e me deu um forte abraço.
“Não sei como lhe responder, minha cara. É meu trabalho”.
Ele sorriu novamente e acenou para se despedir. Precisava ir. Precisava voltar a trabalhar. Saiu correndo. Eu não fiquei chateada, seu trabalho era corrido muito corrido. Quando ele virou a esquina com pressa, olhou para trás para um último aceno, eu sorri e sussurrei:
“Um dia nos vemos de novo. Até meu apressado amigo, tempo”.

terça-feira, 22 de março de 2016

DESDE PEQUENA?



Eu estava andando pela rua. Ou será que era andando pelos trilhos? 

Pelos trilhos que seguem minha vida e se desfazem lá na frente pra me fazer bagunça. Eu estava andando. E esse andar é meu seguir, meu crescer, meu sonhar, bem de vagarinho. Quando pequena ainda brincando de bonecas mal saída das fraldas já escutava dos adultos 'Viu só, tá brincando de casinha. Já quer aprender a cozinhar', mas na verdade eu sequer pensava nisso, pensava em cozinhar minha comida de mentirinha pros meus amigos imaginários, criar novas histórias só minhas e só.

Aprender desde cedo à limpar chão, varrer casa, cozinhar, cuidar de boneca. Tudo de mentirinha. Tudo de verdade. Um grande preparo. Aos quinze, é claro já sonhava 'Quero casar'. Por que? Não sei, só queria. Mesmo vendo tantos falhos casamentos que me cercavam que se enroscavam no trilho da vida só pra se desfazer anos depois. 

No primeiro namoro sério o sonho já se firmou 'é ele' eu pensava. Que tola! E estudar, e viajar, e sonhar e ser? Isso fica pra trás. O importante é casar. Mas não deu certo e não casei. Só depois fui ver. E estudar? Pode? Pode não, deve. Mas então por que casar é mais importante? Pra constituir família, ter um bom marido, uma boa casa, uma boa vida. E casar mais velha, depois dos estudos? Pode?
'Vai ficar pra titia!', mas não quero ficar pra titia. 'Então casa logo, estuda e casa, mas logo se não vai ficar beata'. 

Não é que eu não queira casar, quero. 
Desde pequena. 

Mas não como o casamento da vizinha que apanha todo dia e tem medo de fazer alguma coisa, nem o casamento daquela amiga que se casou aos 16 anos e percebeu depois que queria estudar, ser médica e não limpar, lavar, cozinhar, apenas porque sabia que conseguiria. Nem sequer como aquela parente mais próxima minha que ficou casada por vinte anos e depois foi traída por um homem que não conhecia há vinte anos. 

Não há como generalizar então não vou. Mas percebi que quando encontrar aquela, pessoa, isso aquela, aí sim. Então quando estava chegando na parte em que os trilhos se tornavam confusão eu percebi, não importa. Eu posso concertá-los. Viver todos os meus sonhos. Então foi o que fiz. Concertei os trilhos e anotei. Eu posso viver meus sonhos. 'Mas e casar?' perguntam com assombro. "Os sonhos! Eles primeiro" apontei para os trilhos, sorri e segui em frente.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

GOTAS QUE GUARDAM CHUVA


O som da chuva é tão reconfortante. Me faz sentir bem, segura, em casa. Claro, também me faz me sentir mais sem você, mas isso realmente importa? É parece que sim. Visto um casaco enorme e abro a porta.
O corredor está vazio. Ninguém quer sair com essa chuva. Eu não me importo. Preciso de café e chocolate, a mercearia é na esquina. O guarda-chuva enorme me tampa de qualquer respingo. É uma pena, gosto de pegar chuva. Mas mesmo assim preciso dele. 
O guarda-chuva é seu, você também esqueceu ele, mas eu não me importo mais.
Quando abro a porta da mercearia à dona me olha desconfiada. Ninguém sairia com um temporal desses.
__Boa tarde. – Grito da porta e vou atrás do meu café e do chocolate.
Pago tudo a dona da mercearia, uma senhora de uns 70 e poucos anos com cara de poucos amigos. E um cabelo mal pintado e espetado.
O guarda-chuva está pingando, isso deve tê-la irritado.
Me viro para ir embora e congelo. É você. O que faz aqui? Seu rosto mostra tanto espanto quanto deve estar o meu. Por que você faz isso? Insiste em reaparecer como uma ferida que não cura?
Não, me desculpe. A culpa não é sua, eu sei. Saio do meu estado de estupor e dou um passo. Oras, pare de me olhar, não me tente. Sua barba cresceu de um jeito que sei que detesta. Sei o que meu olhar diz agora. Diz medo, dor, insegurança, de fato, mas também diz alegria de um tempo que se foi.
A dona da mercearia tosse com um ruido seco pra afirmar que quer que eu saia logo, deve estar furiosa porque depois terá que limpar a água que o guarda-chuva pingou. E que continua pingando mesmo que suavemente. O som das gotas é como o nosso tempo. Pingando, derretendo, se esvaindo.
__Oi. – Você dá um passo e me cumprimenta sorrindo.
Do mesmo jeito que fez quando chegou à minha casa naquela tarde tempestuosa e molhou todo o chão da minha sala com os pingos do seu guarda-chuva.

__Por que está brava? Eu limpo – disse com um sorriso de deboche.
__Molhou tudo, agora vai ser terrível pra secar e o chão vai ficar muito frio.
__Se você não andasse descalça no apartamento não teria esse problema. – Chegou perto e me deu um beijo molhado.
__Pendura o guarda-chuva no armário. E não, eu limpo, se você tentar ainda vai acabar piorando tudo. Faça um café pra gente que até ele ficar pronto eu termino de limpar essa bagunça. – Eu disse apontando pra minúscula cozinha.

Um trovão me trás de volta ao presente.
__Oi. O guarda-chuva é seu. – Estico a mão que segura o guarda-chuva e ela fica no ar, um divisor de águas. O som da chuva diminui.
Você pega o guarda-chuva. Seguro minha sacola e finalmente saio da mercearia. Para o desespero da dona eu fui, mas o guarda-chuva ficou. E os pingos também.


-Déborah Queiroz

Gordices Literárias

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Sorvetes que não derretem

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As situações pelas quais passamos na vida são como um sorvete que fica debaixo do sol quente em um dia de verão. No começo está com gelo, maciço e saboroso, mas aos poucos vai derretendo e se você não correr pra tomar logo ou colocar no freezer, ele vai derreter e você nem vai perceber.
Agora, você tem opções. Ver o sorvete derreter lentamente e sofrer enquanto ele se desfaz ou pegá-lo e se refrescar aliviando o tormento de estar em um dia terrivelmente quente ou ainda recoloca-lo no freezer pra ter o prazer de ter um sorvete pra tomar mais tarde. Não será a mesma coisa e você terá um sorvete re-resfriado o que na minha opinião não é tão bom quanto um sorvete cremoso em um dia quente, mas ainda sim é uma alternativa.
Quando estamos diante de uma situação conflitante o que fazer? Você poderia facilmente responder: raciocinar e ver qual caminho trará melhores conclusões. Mas mesmo que a conclusão a qual você quer chegar seja fácil, ainda vivemos diante da incerteza de possíveis futuros.
Por que? Eu poderia dizer a frase taxada “Seres humanos são complicados”, mas não vou fazer isso, ao contrário, vou tentar ver por que seres humanos as vezes complicam tanto tudo ao seu redor.
Afinal, não seria mais lógico apenas pegar o sorvete?
A questão é que a lógica nem sempre nos leva em direção a uma fabulosa decisão que nos agrada de imediato e então caímos na armadilha. Tentamos nos agradar com decisões imediatas mirabolantes que podem levar a um fim desastroso, ou a uma deliciosa e adicional cobertura de chocolate.
Seja de um amor, de uma dor, de um mundo esquecido ou um que existiu apenas em nossos mais longínquos devaneios. Ah, a dor de amor, o mais comum dos males humanos.
Terrível? Não sei dizer. Mas quanto maior a recompensa maior o risco. E o risco exige as decisões mais incrivelmente conflitantes e arriscadas, às vezes até terrivelmente maçantes como ficar na sala de espera do dentista.

O que quero dizer é somos criaturas peculiares que às vezes complicam as situações. Mas tomar decisões nem sempre são tão fáceis. Até porque até chegar ao sorvete há um caminho maçante e que fica terrivelmente quente sob um sol de verão. 
-Déborah Queiroz

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Memórias que se dissolvem no chão




Uma gota do sorvete pinga no chão. Está derretendo, mas ela não parece se importar. A mala, bem pequena tem o fecho quase estourado com as roupas colocadas às pressas. Uma oportunidade é tudo o que ela tem. Se não for agora provavelmente nunca mais terá tal coragem. O trem apita, seu telefone toca, ela olha rapidamente para trás e entra.

Todos os dias milhares de pessoas sentem, tocam, passam. Todos os dias pessoas que não se conhecem se cruzam e evitam se olhar nos olhos para evitar conhecer, evitar a partida que vem no final de cada começo.

Tem os sonhadores, aqueles que procuram uma jornada com aventuras, destemidos e intrigantes. Tem os que partem com a solidão, com a esperança de um novo recomeço levando lembranças.

Há encontros, desencontros, sorrisos, lágrimas. Na vida eu sou a estação, e mesmo quando todos se vão, eu fico aqui à espera de qualquer passageiro. E é nesse momento que me agarro as lembranças.

Uma memória, uma mala perdida, um livro esquecido em um banco, um lenço caído no chão ao acaso. E são essas coisas que me sustentam. Que mantém minhas vigas de pé em meio a tanta solidão.

Mesmo quando sinto as vigas cederem e rangerem ao menor vento pelo tempo que as consumiu, as pequenas lembranças me forçam a continuar, a não fraquejar e esperar por mais um sorriso, mais um abraço de encontro, de despedida, mais um sorvete que pinga no chão, mais um beijo não dado, mais uma mala lotada de memórias que derramam e se dissolvem no chão. Sozinha.


terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Avante Frodo






Esse ano eu vou...
Esse ano vai dar...
Esse ano vou fazer...
Vai ser um ano incrível...
Novos começos...
Blá, blá, blá!
Todos os anos Dezembro gera aquele friozinho na barriga. O ano está acabando. Após toda a comilança do natal, o dia 26 até o dia 31 (se estendendo a janeiro) é reservado para você fazer seus planos para o próximo ano. O ano que vai mudar sua vida... Ou não.
Não pense que eu sou o tipo de pessoa que não planeja as coisas. Ao contrário, eu amo planejamentos. Mas aí todos os anos eu vejo pessoas ao meu redor fazerem as mesmas promessas e nada para cumpri-las.
É claro, às vezes você pode pensar que é mais fácil simplesmente se sentar e se envolver em mundo cinza e sem forma até que alguém faça algo. É claro também que se você estivesse cercado de aranhas tentando te comer vivo você tentaria fazer algo para sobreviver e voltar a viver ou começar. Mas às vezes parece que o sofá e a rotina são tão fortes ao nos combater quanto um exército, certo?
Então por que todos os anos prometemos voltar a viver, mas só a básica sobrevivência continua a residir dentro de nós? Passos, passos, passos. Eu não consigo realizar tudo o que planejo, mas tentar é essencial. Pensar no caminho que é preciso percorrer para chegar a Mordor e então simplesmente ir. Assim como Frodo, mesmo que não seja fácil e você tenha Gollum no seu pé por um tempo.
Caminhe, aprecie a vista. Evolua. Faça algo. Mas não se esqueça de parar de procrastinar ou seu ano será exatamente como o ano anterior e o outro e assim por diante até que seus cabelos sejam brancos e você esteja tão cansado que ache mais fácil sentar e esperar para acolher a morte como uma velha amiga.



“Se fracassar, ao menos que fracasse ousando grandes feitos, de modo que a sua postura não seja nunca a dessas almas frias e tímidas que não conhecem nem a vitória nem a derrota.”
Theodore Roosevelt

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

***

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Era uma vez, sim começaremos por era uma vez apesar de todas as pessoas que se acham adultas demais para ler uma história que começa com 'era uma vez'. Pois bem, Era uma vez uma garotinha de dez anos, ou doze, talvez quatorze, enfim essa garotinha se chamava Katherine, e gostava muito de brincar e ver TV. 
Com essa era do mundo digital é isso que as crianças gostam (talvez infelizmente, ou não) ela gostava muito de jogar vídeo game e ter várias redes sociais. Essa garota também tinha vários amigos e amava muito todos eles. E um dia essa garotinha de olhos tão cinzentos e tão curiosos estava com tédio e foi procurar algo para fazer no sótão de sua adorável casa. 
Depois de tanto fuçar e tanto tossir se sentou em uma caixa de papelão, ou madeira muito apodrecida e suspirou. Quão tedioso era não ter o que fazer, já estava cansada de tantas redes sociais, tanta TV, tanto nada. Cansada de toda a normalidade de uma vida normal, queria que a vida fosse como nos filmes e vídeo games onde cada aventura era diferente e intrigante. 
A maioria de suas amigas só pensava em garotos, primeiro beijo, ou segundo, maquiagens, roupas, etc, e ela não era diferente gostava de tudo isso tanto quanto outras garotas, mas estava cansada. 
Suspirou novamente antes de perceber aos seus pés um enorme livro de capa muito antiga de couro preto. Pegou-o com cuidado, lembrava-se vagamente de ver o pai muitos anos atrás com um livro assim, viu-o pôr o livro de lado falando que era bobagem e agora estava aqui, no sótão. Tudo o que era "bobagem" acabava aqui. Suspirou novamente, não gostava de ler, os livros do colégio eram tão chatos e os outros pareciam chatos, sem gravuras, sem nada. 
Dava preguiça só te ter que imaginar tudo por conta própria, não é pra isso que existe a TV? Suspirou novamente e abriu-o compelida pela curiosidade. Sem nenhuma indicação do que se tratava tal livro, ela virou a página e no primeiro capítulo que dizia “1” começou a ler. Veja só para sua enorme surpresa logo de início ela sentiu-se ali dentro daquele maravilhoso mundo de fantasia, com sereias, bruxas, grifos, náiades e tantos outros seres fantásticos. 
Mal percebeu a hora passar enquanto navegava naquele mundo estranhamente perigoso e fascinante. Suspirou quando viu que só faltava uma página para o livro acabar e ela própria se dar conta da mãe gritando seu nome, gritou um "Já vou mãe" e terminou aquela última página, retornando ao mundo real. 
Virou a página e percebeu um recado escrito a mão, ao que parecia ser de muito tempo atrás. Leu: 
“Nunca tenha medo da vida ser monótona, ou chata, basta ler e imaginar para viver novas aventuras” Desceu um pouco mais os olhos e percebeu outro recado à mão "Todas as pessoas gostam de ler, basta encontrar o livro certo. Joseph". 
Abraçou o livro ao perceber a letra de seu avô tão cuidadosamente escrita.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Apenas...



“A vida é muito chata!” pensava. “Para que existir simplesmente pelo fato de existir sem propósito algum? Há algum propósito?” Enquanto andava pela calçada pensava no que fazer a noite. “Uma festa talvez. Mas para que? As festas melhoram a vida em alguma coisa? E por que tantas perguntas?” Fingiu não tê-las e continuou seguindo seu caminho. “Falar sozinha é ruim?” Cansou-se de tantas perguntas.


Chegou em casa e foi direto até a estante pegar um livro qualquer para passar o tempo. Deitou-se na cama e começou a ler para passar o tempo ainda com tantas perguntas martelando em sua mente. Sempre que lia, qualquer fosse o livro entrava num mundo completamente nosso e fascinante.


E dessa vez estava nele literalmente. As árvores com folhas azuis e brancas, o mundo se misturando entre a fantasia e a realidade. “Por que ambos não podem viver juntos?” Pensava. Bem, agora podiam. Sentiu suas mãos se enrijecerem com o frio. Gostava disso. Pegou um fruto de uma árvore próxima e sentiu o gosto explodir em sua boca, morango com recheio de chocolate.

“Isso é real?” Não sabia dizer, mas se fosse somente um sonho, não queria acordar agora. Olhava agora o céu, o azul vibrante e macio. Sentou-se na grama e recostou-se sobre uma pedra coberta de musgo. “Que lugar lindo!”.

__Então? – Olhou para o lado com um susto e reparou num garotinho de mais ou menos dez anos de idade com cabelos verdes e olhos curiosos. – O que faz aqui? – Então finalmente se perguntou o que fazia ali naquele lugar tão curioso. E afinal, que lugar era ali?
__Não sei, e você? – Sabia que não era uma boa resposta para um estranho, mesmo que para uma criança.
__Vendo você! – Ele responde como se fizesse todo o sentido.
__Ah! E por que? Não devia procurar seus pais?
__Não vendo você… Vendo você! – Ele diz tocando a cabeça com o dedo indicador.
__O que? – Estava começando a se assustar.
__Tudo bem! – Ele diz tocando sua mão, foi reconfortante.
__O que quer?
__O que você quer? – Ele rebate com impertinência.
__O que? É melhor ir procurar seus pais garoto.
__Talvez só esteja com medo da loucura. – Ele cruza os braços sobre o peito.
__Esse lugar não é loucura. – Afirma com veemência.
__Como sabe? Talvez só seja seu subconsciente numa medida desesperada.
__Desesperada pra que?
__Pra não, por. Por perguntas. – Rebate o garoto com certeza.
__Desculpe, mas não estou entendendo. – Começou a sentir certa confusão nessa conversa.
__O cérebro tem necessidade por respostas. E como tê-las sem perguntas?
__Eu não… Eu não… Eu não sei. E como sabe dessas coisas? É só uma criança. – Fala numa medida desesperada de dizer algo que faça sentido.
__Vê. – Ele diz mexendo em uma mecha do cabelo espetado. – Os adultos têm necessidade de saber tudo. E de viverem no mundo real. Nós crianças não temos medo de perguntas, ou de imaginar.
__Não é medo… É necessidade. Viver. No mundo não há tempo pra viver no mundo da fantasia.
__Você não queria poder vir pra cá mais vezes?
__É claro. Pena que tudo seja só um sonho. – Diz com pesar e tristeza.
__Isso não quer dizer que não é real. – Se perguntou repentinamente como fora parar lá com naquele lugar tão estranho com aquele garotinho tão engraçado e curioso.
__Que estranho! – Diz pensando em voz alta. Talvez pudesse usar mesmo a imaginação para ir aquele lugar quando quisesse.
__Mas… Você tem perguntas… Tem que respondê-las.

Acordou subitamente e percebeu infeliz que realmente só se tratava de um sonho. Lembrou-se de tantas perguntas que tinha a respeito do mundo e começou a questionar-se. Por fim era verdade. Sem perguntas não haveriam respostas e sem respostas não haveria nada. Mas antes delas precisava tentar voltar aquele mundo fascinante. Mesmo que fosse só um sonho bobo. Tinha que tentar.

-Déborah Queiroz

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Vestido de cetim



Estava com o coração na boca que já não se aguentava de tanta felicidade. Já fazia um mês que aguardava este tão sonhado dia. Ficou o repassando, reinventando-o em sua mente por vezes. Já havia criado inúmeras fantasias para o dia, mas sabia que nenhuma seria tão boa quanto a própria realidade. Podia ser exagerado pensar tal coisa, mas não ligava, afinal só tinha doze anos e seria o primeiro presente que ganharia na vida. 

É claro, não é tão comum uma criança ganhar seu primeiro presente aos doze anos, mas acontece que seus pais eram pobres e trabalhavam muito para tentar lhe dar uma vida melhor. Assim sendo, levantou-se, pegou seu melhor laço de fita e prendeu no cabelo, sorrindo extasiada. A roupa que vestia era velha e gasta, mas isso tampouco importava. A mãe já havia preparado o café com leite e pão com manteiga. 

Ambos eram tão bons juntos que nem ligava por não ter bacon no café da manhã. Tinha outros irmãos e eles também ganhariam algo. Era um dia especial afinal de contas.
A mãe os arrumou e os levou, a cada passo, seus coraçõezinhos agitavam-se extasiados. Entraram numa loja e a mãe os deixou sentados na frente do balcão, indo para o fundo buscar as encomendas. Voltou com vários pacotes e distribuiu-os, primeiro aos seus irmãos, eles rasgaram as embalagens com voracidade ficando maravilhados ao verem seus preciosos presentes. 

Ela ficou muito feliz por todos eles e estava radiante ajudando-os com as embalagens e se divertindo com eles. A mãe olhou rapidamente para ela e sorriu, depois foi novamente para o fundo da loja, e nesse momento seu coração palpitou de tanta ansiedade. A mãe voltou com um embrulho de papel pardo e o colocou em suas mãos. 

Ela o pegou e sorriu. Com certeza a sensação era melhor do que imaginara. Abriu o pacote com delicadeza e calma enquanto sua mãe a observava. Assim que pegou-o em suas mãos sentiu-se extasiada. Era o vestido mais lindo que já vira na vida! Passou a mão nele sentindo o tecido macio escorrer sob sua pele Era um lindo vestido de cetim azul cristalino com pequenos babados bordados na barra. Sorriu enquanto sua mãe a olhava aguardando sua reação.

__Obrigado mãe! – Abraçou a mãe.

(Dedicado a minha avó Sebastiana)

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

A névoa



Sento-me recostada a uma árvore qualquer e suspiro. O pesar da dor me envolve e meus ombros estremecem. O vento sopra frio e denso e deixo a névoa envolver-me espessa e fria. As lembranças vêm forçando minha mente a gritar por socorro. Pressiono minhas têmporas como se isso pudesse reprimir seu grito.
A névoa me oprime e solto um grito agonizante, balançando-me para frente e para trás. Exausta, deixo-me cair no chão duro e frio, encarando o vazio. Não sinto nada. Sorrio, reprimindo a dor que teima em voltar a me machucar exaurindo cada força do meu ser. A névoa ondula dançando ao meu redor, tentando me ferir.
Meu rosto esboça um sorriso e olho para o lado, mas nada consigo ver. Finalmente, a névoa desiste e vai, deixando-me em meio as árvores e um céu de um milhão de estrelas. Vejo-o parado novamente ao meu lado. Encaro seus olhos encontrando os meus e me permito ficar assim. Só por um instante até ter que voltar para a realidade.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Para Esquecer


http://morrendodesaudade.tumblr.com/page/721




Poxa... Estou eu aqui de novo debruçada sobre o papel pra escrever sobre você. Já faz tanto tempo que não fazia isso que quase me esqueci da sensação. Mas aí eu te vejo e... Puff! Ela volta.

E me debruço sobre o papel novamente para escrever para você. Por que você não vê? Não enxerga? Não sente.

Ainda me lembro daquele dia. Você correu. Eu sorri internamente. Claro, ninguém reparou em mim. Eu mesma só reparei no grande salto que meu estômago deu. Mas aí passou.

Toda a euforia. Todo o sentimento. E por fim só restou o chá. Aquele que você esqueceu ao relento. Que não se importou em tomar. Mesmo que eu tenha tentado prepara-lo da forma correta. Mas claro, não sei fazer chás e provavelmente seria um risco tomar esse.

Um risco que você não quis correr.

E então o tempo passou. Nos primeiros dias veio apenas a confusão. Apenas a pergunta “Por que?”. E depois é claro veio aquele bichinho podre da raiva. Mas este passou rápido, porque por mais que tente não consigo sentir raiva de você. Afinal, por que deveria?

O único mal que me fez foi ao meu coração, mas provavelmente você não sabia que estava fazendo isso. Talvez não saiba até hoje porque é ruim de tato. Ou talvez apenas ignore.

Pensei que fosse só uma fase. Pensei que te ver não me causaria dano, mas causa. Por mais que eu ignore, esse sentimento de vulnerabilidade, esperança e algo que eu não sei definir me atingem.
Com força. Chega a doer.

E então eu volto pra frente do papel. Para escrever pra você. Para que você saiba.
Não estou lhe cobrando nada. Eu sabia que não tinha sido nada. Só me forcei a pensar o contrário e quando a verdade veio me restou a surpresa. Mas o que mais me surpreende é que mesmo após tanto tempo. Mesmo após tantos acontecimentos, tantos crescimentos, tanta vida, eu estou aqui.

Para desabafar.

Para esquecer.
De novo.


terça-feira, 13 de outubro de 2015

SURPRESAS DE UM DIA QUENTE









Dia quente... Logo cedo o sol castiga minhas têmporas. O asfalto parece o solo de panela sob o fogo. Mas preciso chegar onde devo ir, resolver meus problemas. Eles não param só porque está um dia incrivelmente quente e maçante.

Mas é claro, minha chegada parece durar uma eternidade. Ouço um farfalhar atrás de mim. Paro, penso, prossigo. Outro farfalhar. Me viro, ele grita e me olha cheio de curiosidade. Prossigo pela rua, ele me segue.

__Vai, chô! – Digo com um gesto exagerado.

Mas ele não liga, dá um latido feliz e passa por entre minhas pernas. É claro, acho que já era de se esperar que um filhote ficasse tão animado em um dia quente quanto em um dia de brisas suaves.

Talvez se ignorá-lo ele vá embora. Volto a caminhar cantarolando e ignorando seus latidos insistentes no meu calcanhar. Eu cantarolo, ele late. Canto mais alto pra ver se ele para de latir. Ele late mais alto. Ficamos nesta discussão até que estou quase gritando uma música qualquer e ele está gritando por um pouco de atenção.

Paro, olho pros lados. A rua está vazia.

__Olha, eu acho você uma gracinha até – começo me abaixando – mas você não pode vir comigo tá. Não pode. E não pode ficar me seguindo pela rua então tchau! – com um gesto rápido me levanto e dou passos largos, mas ele é mais rápido que eu e corre a minha frente, para me desafiando e inclina a cabeça numa imploração silenciosa.

__Eu já disse – continuo, com as mãos na cintura – você não pode vir comigo. Vai pra casa. C-A-S-A! – repito devagar implorando internamente pra que ele entenda – A sua dona deve estar te procurando. – ele faz um aceno rápido com a cabeça e dá um pulo. – Já que você vai agir assim não me resta outra opção! – retruco batendo o pé.

Claro que pensei em leva-lo pra dona, o único problema é que eu não fazia ideia de onde ela morava ou de onde ele viera. Ele parou, coçou a orelha e me encarou sorridente.

__Olha você precisa tentar encontrar sua dona tá? Volta. – Apontei pra trás e ele pareceu entender dando um muxoxo triste e indo pra onde eu indicava.
Segui meu caminho sem olhar pra trás. Ele devia estar bem. Não podia levá-lo comigo e ele teria que encontrar seu caminho sozinho.

Andei mais algumas quadras e cheguei ao meu destino. Abro a porta giratória. Quando piso o pé na loja a primeira coisa que escuto é um latido vindo de baixo. Ele me seguiu. Me seguiu silenciosamente pra que eu não o mandasse embora. As pessoas da loja me encaram. Eu o ignoro. Finjo que não o conheço. Ele late e abana o rabo clamando por atenção. O ignoro.

Passo o dia todo assim. A cada loja, a cada resolução de problema, e até no restaurante, ele me segue feliz e latindo por atenção. Eu o ignorei todo o dia. Não que isso tenha resolvido porque ele continuou o dia todo no meu pé como se eu fosse sua dona.

Já é noite e a rua está se esvaziando. Preciso voltar pra casa. Paro e olho pra ele num desafio.

__Preciso ir pra casa. Você precisa parar de me seguir. Precisa encontrar seu caminho. Bom, acho que você não tem dona senão ela teria vindo atrás de você horas atrás. Mas vai achar uma dona ou um dono que te ame muito tá. – afago sua cabeça - Adeus.

Me viro, dou alguns passos e percebo que ele não me segue. Olho pra trás, ele está lá onde o deixei, cabisbaixo. Chego perto dele. Ele deita de barriga pra cima e me encara. Não podia deixa-lo ali, ele é só um filhote.


__Vamos. – Digo com um aceno de cabeça e um sorriso, ele me segue.


sexta-feira, 2 de outubro de 2015

DIAS NUBLADOS

FROM: http://nathyrs.tumblr.com/

Pela fresta aberta da cortina do quarto consigo ver que o dia está nublado.
Céu cinza. O vento castiga as cortinas balançando-as numa dança infinita.
Algumas pessoas dizem “Veja como o dia está lindo!” em um dia de sol a pino e céu azul sem nuvens.
Não eu. Gosto de dias cinzas. Apenas observando pela fresta da janela consigo dizer “Nossa, como o dia está lindo!”. Não, não sou uma pessoa estranha, não sou antissocial nem depressiva. Não passo os todas as horas de todos os dias em frente ao computador. Gosto de passá-las na varanda com um bom livro e um bom chá acompanhado de biscoitos.
Me levanto e abro as cortinas. Sua dança cessa e o vento ruge sob meu rosto, fazendo meus cabelos balançarem. Finalmente abro a janela completamente e o vento ruge mais forte, me desafiando. O encaro como um leão pronto pra briga. Não há o que brigar, o que vencer ou perder. O vento me reconhece e me abraça, somos velhos amigos.
O céu também ruge, num aviso. 
A magia está que em dias nublados, posso ser quem quiser, posso dançar com o vento e esperar ansiosamente que após o rugido do céu, venha seu choro, cálido e singelo.
A magia está que em dias nublados, amores impossíveis podem ser reais. Um beijo na chuva, um sussurro trazido pelo vento. Mundos imaginários. Claro, isso tudo é possível em dias comuns, “dias lindos”, mas a magia se perde. O sol nos obriga a pensar na vida, pensar na rotina, num futuro comum.
Pro café da manhã tem cereais na bancada da cozinha, típico como em todos os dias. Mas ela sabe como dias nublados são especiais pra mim e deixa um chocolate quente com marshmellows  a minha espera. 
Ela deve estar no escritório, escrevendo. Minha mãe. Ela também não deixou a magia se apagar e dias nublados são uma inspiração imperdível para seus romances. 
É, dias nublados são uma inspiração imperdível. 
Abro a porta de casa e vou. A névoa recobre toda a cidade, modificando e transformando seus cenários.
Rostos singelos e cálidos em dias comuns transformam-se em máscaras. O vento trava uma batalha incessante com cada passante, cada humano que lhe castiga com palavras de desprezo por simplesmente ter aparecido, roubando-lhes mais um “dia lindo”. 
É claro, essas pessoas estão alienadas demais em suas rotinas comuns para notarem a magia de um dia cinza. A magia que os cerca a cada passo, a cada sonho, a cada pensamento e possibilidades que um dia nublado propicia.
Mas o vento não briga comigo, ele é meu amigo. Nós dançamos com o som das cantigas e do crepitar do fogo embalados por nossa imaginação.
Chego ao meu destino e me despeço do vento com um sorriso. É hora de mais um dia de trabalho. Me sento atrás do balcão e olho envolta. A biblioteca. Suas altas estantes de carvalho me chamam e cedo ao seu chamado abrindo um livro.
Dias nublados, dias mágicos.
Dias que podem se transformar em qualquer cor que você queira.
-Déborah Queiroz

Sim eu realmente amo dias nublados. Me parecem tão acolhedores quanto uma torta de amoras com chocolate quente. Foi exatamente no último dia nublado que teve por aqui que escrevi esse conto enquanto olhava o céu através da janela e sorria. 
Espero que tenham gostado.
E vocês o que acham de dias nublados?
Até a próxima ;) 

sábado, 4 de abril de 2015

...


Era uma vez, sim começaremos por era uma vez apesar de todas as pessoas que se acham adultas demais para ler uma história que começa com "era uma vez". Pois bem, Era uma vez uma garotinha de dez anos, ou doze, talvez quatorze, enfim essa garotinha se chamava Katherine e gostava muito de brincar e ver TV. 
Com essa era do mundo digital é isso que as crianças gostam (infelizmente ou não) ela também gostava muito de jogar video game e ter várias redes sociais.
 Essa garota também tinha vários amigos e amava muito todos eles. Um dia essa garotinha de olhos tão cinzentos e tão curiosos estava com tédio e foi procurar algo para fazer no sótão de sua adorável casa. 
Depois de tanto fuçar e tanto tossir sentou em uma caixa de papelão, ou madeira muito apodrecida e suspirou. Quão tedioso era não ter o que fazer, já estava cansada de tantas redes sociais, tanta TV.
Cansada de toda a normalidade de uma vida normal, queria que fosse como nos filmes onde cada aventura era diferente e intrigante. A maioria de suas amigas Só pensava em garotos, primeiro beijo, ou segundo, talvez bem mais que isso, maquiagem, roupa, etc. Ela não era diferente gostava de tudo isso tanto quanto outras garotas, mas estava cansada de tudo isso. Suspirou novamente antes de perceber aos seus pés um enorme livro de capa muito antiga de couro negro.
Pegou-o com cuidado, lembrava-se vagamente de ver o pai muitos anos atrás com um livro assim, viu-o por de lado falando que era bobagem e agora estava aqui, no sótão, tudo que era "bobagem" acabava aqui. Suspirou novamente, não gostava de ler, os livros do colégio eram chatos e os outros pareciam chatos, sem gravuras, sem nada, não que ela tivesse tentado alguma vez para saber. 
Dava preguiça só de ter que imaginar tudo por conta própria. Suspirou novamente e abriu-o, sem nenhuma indicação do que se tratava tal livro, ela abriu no primeiro capítulo que dizia somente “capítulo um” e começou a ler. 
Veja Só para sua enorme surpresa logo de início ela sentiu-se ali dentro daquele maravilhoso mundo de fantasia, com sereias, bruxas, grifos, náiades e tantos outros seres fantásticos.

Mal percebeu a hora passar enquanto navegava naquele mundo estranhamente perigoso e fascinante. Suspirou quando viu que só faltava uma página para o livro acabar e ela própria se dar conta da mãe gritando seu nome, gritou um "Já vou mãe" e terminou aquela última página, retornando ao mundo real. 
Virou a página e percebeu um recado escrito a mão, ao que parecia ser de muito tempo atrás e leu: "Nunca tenha medo da vida ser monótona, ou chata, basta abrir um livro e imaginar para viver novas aventuras". 
Desceu um pouco mais os olhos e percebeu outro recado à mão "Todas as pessoas gostam de ler, basta encontrar o livro certo. Joseph". Abraçou o livro com força ao perceber a letra de seu avô, tão cuidadosamente escrita.

-Déborah Queiroz

segunda-feira, 23 de março de 2015

CERTO PACOTE

   


   Em certa manhã, certo homem estava parado em certa casa esperando certa encomenda, ele esperara muito tempo para obtê-la e era de valor inestimável. É claro, o valor só era inestimável a ele próprio, já que para outras pessoas poderia ser uma simples banalidade. É claro também que esse certo homem não era certamente normal a não ser, é claro, que seja certamente normal estudar coisas que não existem. Talvez você se pergunte o que este homem curioso estuda. É certo que não contarei.
     Mas não se preocupe, pois talvez você descubra o que este homem estuda e por que espera tão ansiosamente certo pacote. Mas agora vou lhes contar uma história engraçada sobre certo homem. Certa vez ele estava estudando quando ouviu um estalo ao longe. Ele correu, sim porque é isso que as pessoas normais fazem quando ouvem algo estranho. Acontece que neste momento este certo homem estudava à céu aberto, em um lugar com muitas árvores. Você pode presumir que talvez este homem tenha medo de árvores, ou de céu aberto. Pois se você pensou isso receio em dizer que está errado, ou errada. O que este certo homem tinha medo é que este estalo fosse um animal e o devorasse. O que ele não percebeu, porém é que tinha uma lata de tinta no chão cheia de tinta azul-bebê. Talvez se pergunte agora, se o que este homem estuda tem haver com tintas. Se está se perguntando isso, temo dizer que está errado novamente. Ou errada. Mas voltemos algumas frases atrás.
     Este certo homem pisou em certa lata de tinta, porque havia levado-a para marcar as árvores, pois tinha muito medo de se perder, e escolheu azul-bebê por que achava que combinava com as árvores, é claro, não queria uma cor que às deixavam feias, ou antinaturais, como verde por exemplo. Assim que pisou na lata escorregou, pois seu pé se prendeu e ia cair de cara no chão, mas conseguiu rolar e caiu de costas no chão, é claro ficou sem ar, por que é isso que acontece quando se cai de costas. E quando ficou sem ar ele abriu a boca para respirar melhor, mas aí veio um pássaro desavisado e resolveu defecar ali mesmo, bem na hora em que este homem abriu a boca. Bom você pode imaginar que ele ficou muito infeliz, e por isto resolveu nunca mais ir tão longe de sua confortável casa, à não ser é claro para comprar certas coisas e conversar com amigos de vez enquanto.

     Por isto este certo homem esperava há dias este certo pacote em sua casa, mesmo esta certa encomenda estando há poucos quilômetros de sua casa. E  finalmente, quando a campainha soou alta e imponente, e seu coração mal se aguentava no peito, ele abriu a porta, quando viu para sua terrivel infelicidade que trouxeram o pacote errado!


~DÉBORAH QUEIROZ